Torcer o nariz, como Tiago Capixaba fez ao assistir trechos de filmes “nollywoodianos”, é a primeira reação esperada para aqueles que compareceram ao Centro Cultural da UFMG durante a semana passada. O Festival de Arte Negra trouxe para Belo Horizonte uma amostra do cinema nigeriano, e a experiência que isso me proporcionou foi, no mínimo, interessante.

Assisti ao primeiro filme exibido: Saworoide, o sagrado tambor falante, do diretor Tunde Kelani. O roteiro conta a história da aldeia de Jogbo, cujo reinado tem uma ligação mítica com o tambor Saworoide. A partir desse contexto místico, o diretor tenta construir uma crítica a governantes corruptos.

É uma história um pouco difícil de explicar e um filme um tanto quanto difícil de se ver. São 110 minutos (longo!) de pouca técnica, atuações quase caricatas e um roteiro um pouco fora dos padrões que conhecemos. Falando assim, parece que é o pior filme que já vi… Pode ser paternalismo ou qualquer coisa que se assemelhe a isso, mas lá no fundo tentei achar algum valor.

Em certos momentos o rei Lapita (na foto) fez com que praticamente a platéia toda desse boas gargalhadas. Em outros, a temática da corrupção se fez pertinente e no fim, saí com a sensação de que não poderia julgar aquilo como algo tão ruim assim. Só pra lembrar um detalhe que já foi explicitado anteriormente aqui no blog: a Nigéria está na lista dos 30 países mais pobres do mundo, e seu cinema (seja ele como for) está, de alguma forma, conquistando o mundo.