A luz caiu e nem foi culpa da Coelba. 2 computadores e 2 chuveiros ligados numa casa com seis pessoas: é demais para um disjuntor de 30 ampères. É nestas horas que o auto-salvamento aqui do sistema de blogs vem a calhar. Mas, como eu ia tentando dizer pela quinta vez, já faz um bom tempo que a gente não fala de música da Holanda. Então, antes que eu queime a língua depois de ter prometido trazer coisas boas do país, vou continuar na linha do punk rock, que tem dividido atenções com o reggae nas últimas semanas, e falar de uma banda que traz na bagagem ironia e irreverência.

Heideroosjes são umas florezinhas bem pequenas e frágeis. Roos é rosa, e roosje é rosinha, com a ajuda do diminutivo -je. O holandês compartilha com o português a existência de sufixos diminutivos, que muitas vezes alteram o significado das palavras além da simples idéia de tamanho, uma opção que nem é tão comum assim no menu das línguas do mundo. Resumindo: taí um nome bastante inusitado para uma banda de punk. A intenção era esta mesmo: fazer graça com os nomes usuais das bandas punk, que falam de violência e outros temas sombrios.

O grupo já tem 19 anos de estrada. Foram mais de dez álbuns, por cinco gravadoras diferentes. O último deles foi em 2003, o que não quer dizer que Heideroosjes tenha acabado. Os caras gravam em holandês, alemão, inglês e no dialeto local, o limburguês – que nem é tão “local” assim, pois Limburgo é uma região dividida entre Holanda e Bélgica, cada uma com a sua província homônima. A capital de Limburgo é Maastricht. Se o nome lhe soa vagamente familiar, você deve ter ouvido falar do Tratado de Maastricht, que criou a União Européia tal qual a conhecemos hoje.

Quanto à música do Heideroosjes, ela segue bem na linha de que o punk rocker é mesmo um animal político. Humor, sátiras a políticos, aos hooligans e outras entidades são o recheio da massa sonora hardcore. Tem até uma letra envolvendo o prefeito de Maastricht e uma crítica à política de drogas leves dos Países Baixos, considerada hipócrita pela banda. Como se vê, nem tudo são flores na terra do “pode tudo”. O vídeo abaixo é da música “Damclub Hooligans”, que eu achava que fosse uma apologia à violência. Depois de conhecer melhor a banda, descobri que, felizmente, é mais uma crítica bem-humorada mesmo.