Playlist Julho

Fechou a janela para contratação de jogadores vindos de fora do Brasil. Reforços agora só na série B e adjacências. Pouco importa, na verdade, porque temos uma seleção da fina nata dos lançamentos bárbaros. Sem chorumelas, passamos pela nossa querida América Latina com novidades da Colômbia e do Chile, conferimos europeus tradicionais como Alemanha, Itália, França e Espanha, além de uma improvável aparição do País de Gales, que muito nos alegra pelo inusitado da coisa. Damos também um pulo no Japão e outro em Guiné, para então estarmos prontos para ouvir a última de Omar Souleyman. Vai, que tá divertido.

Os títulos estão organizados assim:
Banda / País / Faixa / Álbum


Totó La Momposina / Colômbia / El Pescador / Tambolero
Essa simpática senhora tem dedicado os últimos 50 anos de sua vida à preservação da música folclórica da costa caribenha da Colômbia. O que se canta ali tem um pouco do sangue nativo dos indígenas, dos escravos negros e do colonizador espanhol branco. Aqui você lê a história da comitiva de músicos que acompanhou García Márquez à cerimônia de entrega do Prêmio Nobel, em 1982, da qual Totó fez parte.


La Trocamba Matanusca / Espanha / Aidolemed / Mandoro i Boruca
Estilo um tanto fora de lugar, e que, por isso, nos deixa ainda mais interessados. Da Espanha, mas falando valenciano (uma variação do catalão), uma banda de música cigana judaica, com todos os trejeitos e todas as credenciais. Este é o seu segundo disco, que mescla versões e músicas próprias. Vejam eles aqui.


Djeli Moussa Condé / Guiné / Jilan / Womama
Segundo disco de Djeli Moussa Condé. Depois de ter colaborado com uma série de outros músicos, ele conseguiu dar repercussão mundial para a sua kora (uma espécie de harpa africana), que lhe permitiu voos solos mais altos. Clipe de Womama, aqui.


Nina Zilli / Itália / Fra il Divano e le Nuvole / Frasi&Fumo
Nina Zilli, que também atende pelo bonito nome Maria Chiara Fraschetta, está de volta com seu terceiro álbum. A ex-VJ italiana estranhamente não tem causado a mesma repercussão de quando embalava nossos jogos de PES 2011, mas continua com o vozeirão de sempre. O último registro videoclíptico: “#RLL (Riprenditi le lacrime)”.


Cro / Alemanha / Bad Chick / MTV Unplugged
O hip hop alemão pode se orgulhar de ter uma grande estrela. Cro marcou seu lugar ao definir sua música como raop (rap + pop). Como confirmação do seu sucesso, ele acaba de lançar um bonito MTV Unplugged, com direito a violinos e tudo mais. Sintam o clima: Bye Bye.


Kohh / Japão / iPhone 5 / 梔子 (Kuchinashi)
Kohh faz hip hop no Japão. É difícil medir o que isso quer dizer. Talvez algo como tentar inserir o pandeiro na música da Dinamarca. Ele tem conseguido algum sucesso, mas o processo é lento. A curiosa cena de hip hop japonesa, com o Kohh, você pode ver aqui.


Gwenno / País de Gales / Golau Arall / Y Dydd Olaf
Normalmente a Gwenno ficaria fora do alcance do nosso radar, por ser britânica. Mas quando ela consegue emplacar música cantada na língua galesa nas paradas de sucesso do Reino Unido, aí a coisa muda um pouco. Ouça (e veja) mais no videoclipe retrô de Chwyldro.


Oiaseaux-Tempête / França / Aslan Sütü / Ütopiya?
Originalmente um trio de post-rock, a banda agora conta com um clarinetista como quarto elemento. O navio encalhado da capa faz referência à Europa em colapso. O primeiro álbum era sobre a Grécia e esse tem os olhos voltados para o Mediterrâneo, mais especificamente a Sicília e a Turquia. “Aslan Sütü” (leite de leão) é o apelido de um licor turco mais conhecido como “raki”. Eles falam sobre o disco aqui.


Astro / Chile / Kafka / Chicos de la Luz
Mais um egresso das trilhas sonoras de jogos de futebol. Os chilenos lançam seu segundo disco, 4 anos depois, mantendo a pegada eletro-pop. Parte do álbum foi gravada nos estúdios da Red Bull em São Paulo. Não temos notícia de videoclipe novo, então matamos a saudade da faixa “Panda” do FIFA 13.


Omar Souleyman / Síria / Bahdeni Nami / Bahdeni Nami
Não há no mundo mestre de cerimônia de casamento melhor que Omar Souleyman, o que, é claro, faz dele mais do que um mestre de cerimônia de casamento. Em seu recém-lançado álbum ele conta com a produção de cobras criadas da música, dentre elas Four Tet, parceiro também em seu disco anterior. Não temos turcos na playlist, mas, de novo, a Turquia entra na pauta porque o videoclipe de “Bahdeni Nami” foi gravado lá.