Quando o Invasões Bárbaras desembarcou na Colômbia, a banda Aterciopelados se encontrava em um longo período de “entressafra”. Era 2006 e nossa pesquisa despertou certa incerteza. Seria o fim do grupo?

O último álbum de inéditas, Gozo Poderoso, datava do distante ano de 2000. Um período longo para os fãs da banda, que nesse tempo tiveram que se contentar com Evolucíon, álbum de regravações com duas canções inéditas, e os trabalhos solo de Andrea Echeverri, vocal e guitarra, e Hector Buitrago, arranjos e baixo. O fato é que os dois músicos que formam o núcleo do Aterciopelados nunca se separaram. Buitragro colaborou na produção do álbum da amiga, intitulado Andrea Echeverri, e ela, por sua vez, participou de Conector, disco experimental do colega de banda.

E foi assim que Oye chegou no fim de 2006, outubro para ser mais preciso. Cercado por muita expectativa, o álbum não agradou a todos, mas é sem dúvida um trabalho bem interessante. Destaque para as fusões e a multiplicidade de gêneros musicais, um forte traço do trabalho da banda, ainda mais visível e marcante neste disco. Oye é sem dúvida menos eletrônico que Gozo Poderoso e por outro lado um tanto menos rock do que os primeiros trabalhos do grupo. Apesar disso, o resultado não destoa. Podemos dizer que ele está em sintonia com o que é o Aterciopelados.

O dito rock alternativo se une a uma levada mais pop e as inconfundíveis pitadas de música folclórica, que ajudam a conferir um ar de originalidade ao trabalho. A voz de Andrea segue protagonista, com um ar um tanto mais introspectivo, casando bem com o tom mais melodioso do disco. Um bom retorno, é verdade, coroado com o Grammy de melhor álbum alternativo na premiação do ano passado.

Abaixo deixo o vídeo de “Canción Protesta”, uma das músicas que ilustra um pouco do que foi dito neste texto.