Eles entraram pelo meio da multidão. Eram doze homens e carregavam tambores de aproximadamente um metro, equilibrados na cabeça. Vestidos com as cores de Burundi, branco, verde e vermelho, inspiravam respeito. Mais do que isso, eles tinham uma certa aura, uma energia diferente. Talvez porque não seja bem um grupo fácil de encontrar por aí, e isso gere uma curiosidade daquelas que a gente custa a sentir depois dos onze anos.

Li que em Burundi, país africano vizinho a Ruanda e que também vive conflitos étnicos, os tambores são instrumentos sagrados e que tocá-los é um privilégio. Burundi Drummers transmite bem a idéia. Você se sente expectador de algum ritual. Eles tocam, cantam, dançam e depois de uma hora de show, ininterrupta, você tem certeza de que aqueles homens estão em transe.

Aparentemente a platéia também. Ao contrário do que eu esperava, poucos foram os que dançaram. A maioria, assim como eu, simplesmente ficou lá, meio anestesiada, sem conseguir desgrudar os olhos do palco. Três dançarinos se revezam e desafiam-se em uma coreografia quase sempre marcada por saltos carpados. Também percussionistas, são eles os protagonistas das evoluções feitas no tambor central.

A sensação é ter engolido uma caixa de som, tamanha a força das batidas. Porém, o ritmo é simples, torna-se um pouco repetitivo, e em alguns momentos toda aquela intensidade me incomodou um pouco. Bem, considerem meus ouvidos leigos. A verdade é que um texto, como esse, dificilmente define a fibra e a magia de um grupo como Burundi Drummers. E quem não estava na Praça da Estação na última quarta feira, dia 21, perdeu.

(foto: www.fanbh.com.br)