O último álbum da cantora japonesa Dorlis pode ser descrito como um repertório intimista. Desde a primeira música de Swingin’ Singin’ Playin’, fica nítido que a cantora abandonou a agitação de Swingin’ Street 3 por um som bem marcado pela força do violão, frente à ausência de outros instrumentos.

Seu estilo musical remete ao próprio Japão, em que a modernidade parece sempre tentar estabelecer um toque nostálgico. Controlando-se para não exagerar nesta modernidade, suas influências passadas também tomam espaço, como uma tentativa de filtrar quem vai ter o prazer de ouvir sua música. Ao mesmo tempo em que usa elementos mais dançantes, às vezes também recua desses recursos, como se dissesse para não nos empolgarmos demais.

Até canções mais agitadas, como “O ritmo do começo”, não arriscam muito e são bem limpas quando o assunto é a utilização de instrumentos. O retrato do álbum é a excelente “Piscina pública”, versão da canção homônima de Swingin’ Street 3, agora sem bateria, piano e violino. Quase dá pra imaginar a “mariachi” de 26 anos, sentada em um banquinho de bar, apenas com o violão e apresentando as oito músicas do seu mais recente álbum: uma mistura harmoniosa de jazz, swing e quase MPB.

E ela realmente parece conseguir captar o que há de melhor no jazz, no swing, arrisco até dizer do R&B. Dorlis não nega o novo, tampouco se esquece do passado. Muito talento e bom gosto musical acabam deixando seu álbum uma mistura de elementos abrangentes, e quando digo que ela filtra seu público, é uma seleção ampla, sem privar ninguém, mas exigindo do ouvinte o mesmo gosto que possui.

Obviamente que bom gosto musical é uma característica subjetiva, no caso sou eu quem lhe proporciona tal status, mas eu realmente não imagino alguém que possa não gostar do repertório de Dorlis.