Invasores reunidos há cinco anos. Bons tempos. E eu ainda era magro. (foto: Kátia Lombardi/divulgação)

Aqui estou eu em Dublin, na Irlanda, ouvindo música indiana e pensando no que escrever para o projeto cultural brasileiro que ajudei a criar. Deixei o barco há mais de um ano, mas confesso que o barco nunca saiu de mim.

Um tanto pelos laços de amizade construídos ao longo dos quatro anos juntos, mas principalmente pelas ideias e princípios que envolvem o Invasões Bárbaras. O rei com a flecha na cabeça ainda vale uma tatuagem. E assim me pego pensando: você pode até deixar o Invasões, mas nunca deixa de ser um invasor bárbaro.

Tudo começou em 2006, com um trabalho de conclusão de curso (arte: lívia bergo)

É como ser vascaíno, ser atleticano, ser ‘Bahêa’. É mais forte do que vitórias, do que dinheiro, do que sucesso.

E assim, de um jeito bem piegas, a inconstância genial do Diego Souza me lembra o Costoli e a polêmica estrela do Alecsandro me lembra o Vetrô. Baiano veste a camisa 6, mas joga no meio. É um Felipe: maestro mesmo sem ser capitão. Guilherme, bom reforço, se desdobra pelas pontas com o fôlego de um bom lateral. Um Fágner que sabe marcar. Do Bolívia, nosso Jumar, destaco base e conhecimento musical.

E  lembro também de todos os Bernardos: sejam eles Xuxa, Deodoro, Costa, Ferreira, Aguiar, Veloso Leão, Borges ou Gontijo. Sempre importantes e decisivos quando entraram em campo.

E em toda essa metáfora de cera doce, eu gostaria muito de ser o Juninho – Pernambucano Capixaba. Me sentindo meio velho, mas com a disposição de um menino pra ajudar. Vestir a camisa. Esperem por mais uns golzinhos de falta, uns cruzamentos talvez, e bem menos correria, é verdade.

De volta com o Rei

Não sou rei, nem reizinho, mas volto com ele. Nas ruas de East London, coração indie (e meio bárbaro) do Império, um restaurante indiano chamava a atenção, pela promessa de comida farta e barata. Pimenta à parte, foi a TV que mais despertou interesse, posicionada além da barricada de comida colorida.

Da tela surgia o eterno Daler Mehndi, um tanto repaginado e modernoso, mas com a mesma presença que resultou no seu coroamento entre os bárbaros. E assim finalizo meu texto de retorno. O clipe da música Ghoda é do novo album do artista indiano chamado ‘Tunak Tunak Tumba’. Nome que lembra o clássico vídeo de anos atrás.

Lembrando que o Invasões agora tem um núcleo europeu. Eu e Augusto Veloso Leão, que já emplacou texto na semana passada, estaremos por aqui ao menos uma vez por semana. Nos vemos!