Em nossas andanças musicais, encontramos o estilo chamado Oriental Metal, em Israel. Não, não estamos “de marcação” com o país, mas parto dele para um comentário mais geral. A apropriação de um estilo.

O Heavy Metal foi apropriado por bandas ao longo do mundo, desde seu surgimento. Se adotarmos sua origem como sendo – vá lá – nos anos 70, é impressionante ver como um gênero de tão curto período de existência (30 anos pode ser muito pra mim e pra você, mas é pouco ou nada para um estilo musical) pode ser subdividido em tantas categorias.

O curioso, é que a maioria das subdivisões mantém em comum com as outras o peso dos acordes e a força e do som. Esse é o clichê do Metal. O caso do Oriental Metal é interessante. Quando o apresentamos no rádio, chegamos a comparar o som da banda Mashina com Bob Dylan. O que, então, faria desta banda um expoente de Metal?

Acertou quem pensou nas letras. A origem do Oriental Metal, em Israel, dedicava suas canções às tragédias judias e relatos bíblicos. Sendo a temática o ponto de contato do oriental e o metal, há de se destacar o que já é suposição: curioso como uma nação marcada por guerras e conflitos eternos se apoderasse do mais pesado dos estilos e o devolvesse ao mundo com uma sonoridade mais suave.

Naturalmente, essa observação também pode ser creditada à influência da música e instrumentação oriental, tanto que o Oriental Metal posteriormente surgiu também na Turquia e no restante do mundo árabe. Ainda assim, merece menção. Na Ásia ou no Leste Europeu encontramos reproduções de metal, black metal e melódico. O curioso passa a ser, então, justamente o fato de que as apropriações do estilo mantém a identidade ideológica em troca do peso da sonoridade.