Juan Luis Guerra. Esse foi o grande nome da oitava edição do Grammy Latino, que aconteceu na noite desta quinta-feira. O cantor e compositor dominicano transformou o merengue no ritmo da noite. Foram seis Grammys e ainda uma homenagem, ele foi eleito a “personalidade do ano”. Na bagagem, Guerra levou os três prêmios principais: “gravação do ano”, “álbum do ano” e “canção do ano”. Somados a esses ainda vieram as estatuetas de “melhor engenharia” e os já esperados prêmios de “melhor álbum de merengue” e “melhor canção tropical”. Todos pelo álbum La Llave de Mi Corazón e a canção que leva o mesmo nome.

“Pai” Baiano (que mandou bem nas previsões) já dizia dias atrás que o Grammy trabalha com cartas marcadas e isso realmente fica visível em muitas escolhas. Assim, aqueles que fazem as apresentações são na maioria das vezes os que levam os prêmios. Os espanhóis do Quinta Estación, a dupla mexicana Jesse & Joy, o grupo Calle 13 e as cantoras Laura Pausini e Daniela Mercury não me deixam mentir. Apresentação seguida de premiação ou vice-versa.

E foram os shows que deixaram um pouco a desejar, em grande parte pelo excesso de canções românticas, mas também por algumas performances que não empolgaram. Destaque positivo para a união de Orishas, Calle 13 e o grupo de percussão Stomp que, com muita energia e uma performance bem elaborada, protagonizaram um dos melhores momentos da noite.

A transmissão da Rede Bandeirantes para os espectadores brasileiros foi interessante para mostrar um pouco do melhor (e pior) da música latina, mas evidenciou também o nosso isolamento. A apresentadora Mariana Ferrão deu o recado ao perguntar por que “esses artistas não chegam ao Brasil?”. Guto Graça Melo e um Paulo Ricardo bem perdido escorregavam para comentar um cena musical complexa, que mesmo tão próxima geograficamente é extremamente distante dos brasileiros.

E o fato é que a recíproca é verdadeira. Patrícia Maldonado (“embaixatriz” do Brasil nomeada pela Band) apresentou as nossas categorias em bom português mesmo, como se abrisse as portas de um universo paralelo. Para a maioria naquela platéia os nomes dos indicados brazucas são tão familiares quanto os de música norteña para os profissionais envolvidos na transmissão verde-amarela. E isso não é uma crítica, é apenas uma constatação. Certas coisas chegam aqui, mas sempre fazem escala em Miami (ou Las Vegas) antes de desembarcarem. É tudo realmente muito longe.

Sobe

Juan Luis Guerra – o dono da noite. Fez festa antes, durante e depois da premiação.

Calle 13 – a dupla de Porto Rico ganhou mais dois Grammys e já tem cinco no currículo. Isso com apenas dois discos lançados. Levou o prêmio na concorrida categoria de “melhor álbum urbano” e emplacou a de “melhor canção urbana” em uma parceria com os cubanos do Orishas.

Caetano Velloso e Laura Pausini – brasileiro e italiana que ganharam prêmios importantes em uma premiação tradicionalmente de predomínio hispânico.

Desce

Shakira – ano passado a colômbiana dominou o Grammy Latino e venceu os prêmios principais. Tudo bem que nesse ano ela não lançou álbum, mas ao menos o duo com a estadunidense Beyoncé não levou nada.

Daddy Yankee – o “rei do reggaeton” não teve chance mais uma vez. Quem sabe no ano que vem.

Cerimônia – faltou um pouco de sal. Ninguém esperava a pirotecnia dos prêmios da MTV, mas faltou um pouco de vida e criatividade ao Grammy. Somamos a isso alguns problemas técnicos e a escolha dos shows, que penderam muito para a linha pop romântico. O fato é que a cerimônia não escapou de uma atmosfera meio brega.

Confira a lista completa com os vencedores (e perdedores).