Taí (ou melhor, tá aqui) um post polêmico. Porque falar em semana da mulher é, mais que levantar bandeiras, provocar reflexões. A data foi pensada como uma oportunidade de comemorar as conquistas femininas no decorrer das décadas. Mas, ao transformar-se em data comercial, não estaria o Dia Internacional da Mulher se prestando também a outro tipo de preconceito, segregando a elas apenas um dia, enquanto outros 364 permanecem dos homens?

A reflexão me veio à mente quando da reunião de pauta para o blog. O post que me coube escrever, sobre as musas bárbaras, gerou o seguinte comentário por parte da Juliana: “um texto sobre mulheres gostosas, muito legal da parte de vocês”.

De algum modo, a ironia dela está certa. Na história da humanidade d.C., essencialmente masculina, foi oferecido à mulher o papel de coadjuvante. Até que elas tomassem a frente em várias áreas da arte, não existia a figura do “muso inspirador” – aliás, ainda não existe de fato. A “musa inspiradora” parece mesmo uma invenção masculina. Num mundo em que a vaidade e a pressão pela beleza faz mais vítimas exatamente entre as mulheres, achei mesmo que valia a pena contextualizar essa questão. Ao mesmo tempo, foi uma sul-africana que me apontou a direção e o que poderia fazer:

“Temos que ser fortes, duronas pra conseguir nosso espaço no hip hop. Mas eu sou mulher. Então também não posso ser feminina? Não posso usar saia ou estar bonita?”
MC Chi (no documentário Counting Headz)

E se este post é ilustrado com belas musas bárbaras, não é porque elas são gostosas (bem…), é porque todas são artistas fantásticas que freqüentam nossa parada de sucessos, graças à sua música, nossa matéria-prima. Porque sem a música, a beleza delas não estaria neste blog.

Fotos produzidas, provocantes e linkadas: Juliana Gattas, Younha, Katreeya English, Els Pinoo, Maria Daniela, Sara Tavares e Ceca.