Bem antes do Invasões Bárbaras começar, o som da banda mexicana Molotov já estava na minha playlist, que na época era um cd mesmo, comprado com muito esforço. Achar álbum de banda do México no Brasil não é uma tarefa muito fácil. E pra mim aquilo era precioso. Eu levava pra sala de aula, obrigava a família a escutar no carro… Era 1999. Lembro até de um churrasco. Quase rolou briga. De um lado, eu e o cd Apocalypshit. Do outro, o primo da dona da casa com um funk já bem gasto. No fim, deu funk, mas aqui vou falar mesmo é do Molotov.

Incendiário

Rock, hip hop, críticas, polêmica e muita irreverência. Ingredientes de uma receita que concede a banda Molotov um lugar de destaque na cena musical mexicana. E nada disso é novo. Tito Fuentes (guitarra), Micky Huidobro (baixo), Paco Ayala (baixo) e Randy Elbright “Gringo Loco” (bateria) estão juntos desde 1996, em uma carreira recheada de sucessos…

Os vocais são compartilhados pelos quatro integrantes, o que confere a muitas músicas uma desorganização interessante. Partes cantadas, faladas e gritadas se sucedem e marcam a sonoridade do Molotov. A atitude punk rock, sustentada pelo som pesado dos baixos e da guitarra, fica clara nas composições, recheadas de críticas ao governo – mexicano e também estadunidense. Mas o traço principal da carreira do Molotov é sem dúvida sua irreverência.

O primeiro disco do grupo e o barulho que ele causou já traziam esse recado, ainda em 1997. O nome ¿Donde Jugarán Las Niñas? é uma paródia. O alvo foi um disco da banda Maná, também mexicana, chamado ¿Donde Jugarán Los Niños?. Até aí nada demais.

Os reis da polêmica

Mas o fato é que a palavra niña tem um significado um tanto dúbio na Cidade do México: é o termo popularmente usado para fazer referência as prostitutas. Somando-se a isso a capa traz uma foto provocante. Com a calcinha abaixada a mulher usa uma saia que é facilmente identificada com a das meninas que freqüentam o sistema público de ensino mexicano (menores de idade).

O resultado? Muita polêmica. Algumas lojas se recusaram a comercializar o disco e a banda foi às ruas, vender e protestar contra a censura. O resultado? Três mil exemplares vendidos em cerca de quatro horas.

Esse álbum já traz em suas composições as credenciais da banda: política, humor, sexo e muitos palavrões. E a polêmica foi além da capa. Puto, o primeiro grande sucesso do Molotov, foi pivô de muita controvérsia. O refrão diz “matarile el maricón”, algo como “vamos matar o maricas”. A banda negou qualquer intenção homofóbica, mas teve que conviver com alguns protestos, um deles na primeira apresentação do grupo na Alemanha.

Sucesso e consolidação

Polêmica vende discos e garante espaço na mídia. Dentro de pouco tempo eles já eram conhecidos em toda a América Latina e também fora dela. Mas aí estava o desafio. Seria o Molotov uma modinha passageira, conseguiria a banda se consolidar no cenário musical mexicano? O tempo mostrou que a fórmula incendiária ainda renderia muitos frutos.

O segundo álbum, Molomix (1998) foi dedicado basicamente a trazer versões remixadas do primeiro disco. O desafio estava guardado para 1999. A banda lançou Apocalypshit, que apesar de não repetir a grande vendagem do álbum inicial foi importante para a consolidação do grupo. Destaque para as canções Parasito e Rastamandita que figuraram por muito tempo nas paradas de sucesso da MTV Latina.

Mulher pelada mesmo (e eles tbm)

Rastamandita trazia um ingrediente a mais, suficiente para trazer mais polêmica. No clipe, inúmeras mulheres e os próprios integrantes da banda apareciam completamente sem roupa. Na MTV a solução encontrada foi exibir o vídeo com tarjas para tampar as partes impróprias. Mas a verdade é que em outras emissoras latinas, como o produtor que vos escreve comprovou na época, era possível ver o vídeo sem cortes e tarjas, durante a madrugada.

Um longo intervalo depois e o quarto álbum da banda é lançado, já em 2003. Dance and Dense Denso traz o sucesso Frijolero, música com criticas aos EUA, e que leva o Molotov a inúmeros prêmios, os maiores de sua carreira. Destaque para quatro estatuetas na premiação da MTV Latina e para a escolha como melhor vídeo musical, no Grammy Latino. Em 2004, o grupo lança Todo Respecto, álbum só com versões e pára por aí.

É o fim do Molotov?

A verdade é que já fazia um bom tempo que o grupo não lançava um álbum de inéditas e fazia barulho como antigamente. Mas eis que no início de 2007, a separação do grupo foi divulgada e muito comentada. Estratégia de marketing ou não, essa realmente não foi uma separação comum. Como dizem os mesmos em seu site: essa foi “uma separação para fazer um álbum”. Eternamiente é o nome. Muito bom por sinal. No fim, cada um dos integrantes fez quatro músicas e um dos melhores cds lançados pelo grupo.

Gente, o tal Invasões tem textos tão grandes! Vai acostumando não, que é só as vezes tá. Quem conseguiu chegar até o final pode clicar nos comentários e fazer um joinha pra gente!