Quer conhecer a Bíblia sem ter de ouvir o Cid Moreira com voz de Mister M? Então, ouça a banda argentina Vox Dei em seu histórico álbum: La Biblia (1971). Rock gospel? De jeito nenhum! Eles são um grupo de músicos progressivos dos 70’s que decidiram fazer um disco relendo a Palavra de Deus.

É um álbum conceitual, influenciado pelo nascente movimento de rock progressivo, mas que antecedeu obras históricas do estilo, como The Dark Side of the Moon que viria a ser lançado só em 1973 pelo Pink Floyd. Uma viagem, sim, mas uma viagem tocada com a precisão que só grandes instrumentistas apresentam.

Vox Dei olha amoralmente para a Bíblia, sem evangelizar e tampouco levantando críticas ao texto das escrituras. À época, tinha desde o comunista anti-Igreja criticando, à beata se benzendo – “Nossa Senhora! Cruz credo” – ataques de ambos os lados. No fim das contas, os roqueiros de esquerda ou direita aderiram, e até a Igreja na Argentina recomendou o disco como uma maneira “limpa” de se conhecer a Bíblia.

“Genesis” começa com o silêncio do princípio do mundo, cresce, expande-se com a graça divina que nos abençoa com um solo de guitarra dos bons. “Moisés” conta, com uma leve influência oriental, a história daquele menino que libertou o povo hebreu da escravidão. “Las Guerras” relata, em clima de agressividade, as lutas dos hebreus ao chegar a Canaã. “Libros Sapienciales” é uma canção melódica que fala da vida comum e corrente daquele povo numa época de paz.

“Profecias” é a menor canção do disco com pouco mais de 2min, cumprindo objetivamente a tarefa de anunciar a chegada do redentor. “Cristo, nacimiento” tem a doçura da flauta. “Cristo, muerte y resurrección”, a melancolia da gaita de blues. “Apocalipse” é uma faixa instrumental à la Jimi Hendrix e, assim como o último livro da Bíblia, é bem caótica e difícil de entender.

Vejam no vídeo a seguir uma versão de “Las Guerras” feita para as rádios e tv (metade da duração em comparação com o disco).