Com mais de uma semana de atraso (nenhuma novidade, a essa altura vocês já devem estar acostumados), trago a segunda parte da cobertura invasora à distância do Vive Latino ’11. Hoje o assunto são os shows do segundo dia do evento, realizados no sábado, 9 de abril.

O sábado começou mais ou menos da seguinte maneira: tomo conhecimento da existência do festival, poucas horas antes do início das apresentações do dia, só alegria. Descubro que existe transmissão oficial do evento pela internet, a euforia toma conta. Descubro então que a transmissão é restrita apenas ao México, só frustração e raiva. Passo as horas seguintes tentando descobrir uma forma de driblar essa restrição patética, perdendo no processo as duas primeiras levas de bandas do dia. Finalmente os invasores bárbaros prevalecem. Vitória!

Enjambre

Depois de toda essa montanha-russa, o primeiro contato com o Vive Latino foi através do Enjambre, que se apresentava no palco principal. E foi a melhor introdução possível ao festival. Os mexicanos, mesmo tendo sido escalados para se apresentar cedo, às 15:50 no horário local, fizeram sem dúvida um dos melhores shows de todo o Vive Latino ’11. Uma coisa que chamou a atenção durante a apresentação era o quanto o vocalista Luis Humberto Navejas fazia lembrar Brandon Flowers, do The Killers, tanto pelo visual quanto pela voz. Se era intencional ou não, fica a dúvida. De qualquer maneira, o som do Enjambre parece ser altamente influenciado por bandas de rock contemporâneas do império, como The Strokes (“Enemigo”), o próprio The Killers e outras.

San Pascualito Rey

Você pode nunca ter ouvido falar em San Pascualito Rey mas, depois que conhece, não há como confundi-los. É uma daquelas bandas que, gostando ou não, conseguiu encontrar uma personalidade única. A começar pela voz sombria do vocalista Pascual, juntada à mistura de rock com música folclórica mexicana e outros ritmos. Não é difícil imaginar o San Pascualito Rey fazendo trilha de filme de terror. Ah, e o show teve bem bom.

La Gusana Ciega

Honestamente, até acompanhei a apresentação do La Gusana Ciega mas, depois de 10 dias, nem me lembro mais das impressões que tive desta banda do México (apenas 3 que vi neste dia não eram mexicanas: 1 argentina, 1 chilena e a outra espanhola). Nem os vídeos das apresentações ajudaram muito, com exceção de uma coisa: eles parecem pender bem mais para o pop do que a média.

Bengala

À primeira vista, não parece que é uma banda de rock no palco. O traje de gala branca com direito à gravata borboleta do vocalista contribui para essa impressão. Aí começa a olhar pra outro canto e começa a ver uma guitarra aqui, uma bateria ali ao fundo e, quando se dá conta, está diante de um dos shows mais intensos de todo o Vive Latino. Assim foi a apresentação do Bengala, grupo mexicano que produz um rock legítimo e que empolgava o público a cada música, mesmo as menos aceleradas, como “Tírate”, que abriu o show e você confere no vídeo abaixo.

Macaco

Enquanto ia e voltava entre alguns shows enquanto esperava o de 20h, acabei me deparando com um sujeito de bandana cantando com um sotaque estranho que ainda por cima já conhecia uma das músicas, mas nem fazia ideia do nome dele nem de onde conhecia a música. Descobri depois que o nome da banda é Macaco, originária de Barcelona e que faz um pouco o gênero do Manu Chao, inclusive cantando em vários idiomas, da mesma forma que o músico francês. E a tal música era “Moving”, que rendeu um vídeo para o canal National Geographic, cheio de gente famosa que não conheço.

Natalia Lafourcade

Shows simultâneos em um festival tem seu lado bom e seu lado ruim. A pior coisa que pode acontecer é quando se tem dois artistas que você quer muito ver se apresentando ao mesmo tempo. E quando a mexicana Natalia Lafourcade e os chilenos do Los Bunkers subiram ao palco no mesmo horário, fui obrigado a fazer uma escolha, sabendo que nenhuma delas me deixaria satisfeito por completo. Acabei optando por ver o Los Bunkers e não me arrependo, mas os poucos minutos que pude acompanhar do show de Lafourcade só serviram para saber que estava perdendo uma grande apresentação da pequena cantora. E, além do próprio show na tenda vermelha, Lafourcade foi convidada especial em pelo menos outros 2 no domingo.

Los Bunkers

Como disse antes, escolhi o show do Los Bunkers no lugar do da Natalia Lafourcade e não me arrependi. Não porque um foi melhor que o outro (até porque acho que foram igualmente bons), mas porque foi a primeira banda que pude assistir no Vive Latino com conhecimento de causa. Com mais de 90 bandas tocando em 3 dias, o tempo de apresentação da maioria ficava entre 30 e 45 minutos, com exceção das atrações finais do palco principal. Isso pode ser frustrante para quem quer ver este ou aquele artista especificamente, mas em 45 minutos o Los Bunkers conseguiu mostrar um panorama da carreira. sem concentrar no último álbum, Música Libre, com apenas 3 músicas dele no setlist: “Sueño con Serpientes”, “Quién Fuera” e “Que Ya Vivi, Que Te Vas”.

Los Enanitos Verdes

Como tantas outras bandas que se apresentaram no Vive Latino, tive o primeiro contato com esta banda da cidade de Mendoza (ARG) durante o próprio festival. A diferença é que, ao contrário das outras, Los Enanitos Verdes já estão na estrada há mais de 30 anos. Antecederam em uns poucos anos os contemporâneos do rock brasileiro e a produção da década de 80 até parece com o som que era feito aqui. Um bom exemplo é “Guitarras Blancas”, que de cara faz lembrar “Bichos Escrotos”, dos Titãs. De resto, poderia fazer uma piada de Dragonball com o ex-baterista Daniel Piccolo, mas deixa pra lá.

Caifanes

A atração final foi a banda mexicana Caifanes, que fizeram do Vive Latino ’11 o palco para o seu retorno, já que estavam separados desde 1995. Este foi um dos motivos para sua escalação como atração principal deste segundo dia de festival. A outra é a importância histórica que o Caifanes teve na formação de um cenário rock mexicano no final dos anos 80. Consequentemente, o próprio Vive Latino de certa forma deve sua existência ao Caifanes. Quanto à música em si… não que seja ruim, mas outras bandas que se apresentaram antes me despertaram mais curiosidade, aquela vontade de ouvir mais. Mas, vendo a ansiedade do público ao longo do dia em ver a reunião da banda e as reações positivas após o show, fica claro que minha opinião distoa do resto. Agora, diz que a música desse vídeo não lembra o tema de abertura de Alf?

Assim que a preguiça for vencida, trarei a terceira e última parte da cobertura invasora no Vive Latino ’11.