Na semana passada, Belo Horizonte assistiu a mais uma edição da Mostra Mundial de Cinema, o Indie07. E dentro da curadoria Música do Underground, o Invasões Bárbaras viu alguns filmes que valem muito uma menção.

Oriente Desperdiçado

(Wasted Orient)
Documentário. Direção de Kevin Fritz, EUA/China, 2007, 92 min.

Este filme é quase um road movie, acompanhando a turnê da banda Joyside pela China. A primeira descoberta é que o punk é realmente bem menos música e bem mais atitude, o que faz com que acompanhar uma banda, em qualquer país, seja um grande exercício de descoberta do homem primitivo. Do quanto pode ser escatológico e anti-higiênico manter a coexistência de álcool, homens e nenhuma influência feminina ou materna.

Os integrantes do Joyside não são heróis, tampouco são párias, e talvez resida aí dos grandes trunfos do documentário. São gente que apostou em um caminho, vive daquilo que gosta, e que se lixa para as opiniões externas.

Será mesmo? Porque, em algum lugar ali, no subterrâneo, havia alguma coisa mais, mesmo que fosse possível escavar esse algo mais com uma colher…

Bebo pra não ficar consciente de mim mesmo.

Não é, definitivamente, um documentário sobre qualquer China dos dias de hoje. Nem a tradicional, nem a moderna, e é complicado pensar em choque cultural ali. Entretanto, não pensar em choque quando vemos a casa ou hábitos de higiene dos integranes do Joyside é impossível. Um dia antes o indie afirmava que o punk não está morto, e eu pergunto que punk é esse que está vivo?

Punk is not Dead é um documentário que, em algum momento, vê como o Punk foi absorvido pelo mercado e se tornou também um negócio. E isso é algo muito pertinente, num mundo em que até a rebeldia é bem de consumo, um mundo em que “o que está vendendo bem são roupas anti-consumismo“. Entretanto, é fora do mainstream (e justamente por isso, talvez) que o punk continua sendo forte e, principalmente, punk.

“Se você ama alguma coisa, deve odiá-la também… porque só o ódio é verdadeiro. Então você deve amar e odiar aquela coisa (…) Admiro todos que fazem rock, mas, sei lá, o rock, não é necessário…”

Não são, verdade, grandes pensamentos, mas o guitarrista Yang Yang chama atenção no grupo. Não porque é japonês, mas porque entre todos parece o que não consegue usar o álcool como escapatória. Ele tenta, mas apesar de tudo, ainda é o elemento que distoa do grupo. Não há julgamentos, não há muita moral em jogo neste documentário, mas ele carrega uma tristeza no jeito, que escapa quando está bêbado.

Uma tristeza sensível, como se tivesse acordado um dia, percebido onde estava, e decidido beber pra não perceber novamente. Mas Yang Yang não consegue, e segue um tom abaixo do grupo. E antes de terminado o documentário, o guitarrista é excluído do grupo, sem que tenhamos qualquer resposta quanto ao porquê. Não que fosse necessário…