A vida na Mongólia não costuma ser fácil. Desde que o país rompeu com a União Soviética, os subsídios que mantinham a economia mongol desapareceram. Com a recessão, um terço da população se mudou para a capital, Ulaanbaatar, a procura de empregos. Como poucas vagas estavam disponíveis, a população foi se alocando em volta da cidade, em bairros formados por tendas que ficaram conhecidos como “Ger districts”.

A Mongólia se localiza entre a Rússia e a China. Essa situação favoreceu a entrada do hip hop no país. No início, as bandas copiavam os rappers americanos, que chegavam num contrabando chinês. Os Ger districts foram um celeiro de rappers. A vida difícil na cidade motivou os habitantes dessas regiões a extravasar seus sentimentos em música.

A medida que esses jovens começaram a ser influenciados pelos artistas americanos, um hip hop genuinamente mongol nasceu. Um exemplo das bandas que nasceram dessa maneira é o Tatar. Este nome é uma referência a uma das tribos que se uniram a Gengis Kahn no início do Império Mongol.

Batzaya, Jagaa e Moogii são, atualmente, os nomes mais conhecidos do hip hop no país. Mesclando influências francesas e americanas, o Tatar começou a falar de temas que faziam sentido para os jovens da Mongólia. Desemprego, a falta de condições estruturais dos Ger districts e o amor são temas recorrentes na música do grupo.

A idéia dos três é expandir o som feito na Mongólia para todo o mundo. Para isso, eles assinaram um contrato com uma gravadora japonesa e já até fizeram alguns shows no Japão. A única coisa que eles não contavam era com o Invasões Bárbaras para começar a divulgação aqui no Brasil. Para ilustrar um pouco do som do trio, deixo aqui o clipe de “Nulims dussan hair”.