Me fizeram pesquisar em alemão. Lembranças traumáticas revividas, uma revista fracassada ao meu armário em busca do meu antigo dicionário e xícaras, xícaras e xícaras de cappuccino depois descubro que não entendo mais paçocas da língua. Frustrante. Teria sido pior se a banda não fosse tão fod…er…bacana. Com ela no fone de ouvido, eu quase juro que nem senti a madrugada passar.

Jamaicano mesmo só Alfi, o percussionista, mas o reggae feito por Seeed é marcante o suficiente para angariar fãs no mundo inteiro, inclusive na ilhazinha. Mais dez alemães compõem o grupo, entre eles Enuff, Ear e Eased, os três MCs que comandam o batidão. É, batidão mesmo. Mas da melhor qualidade. Isso porque a banda escolheu o dancehall – estilo musical enraizado no reggae, porém mais rápido, mais marcado e recheado de samples.

A predominância do estilo não exclui outros ritmos. hip-hop, dub, ska e o bom e tradicional reggae a la Bob também estão presentes no caldeirão Seeed. Outros ingredientes como letras em alemão, inglês e patois, espécie de dialeto, enriquecem ainda mais a receita. Talvez toda essa fusão se deva à influência das famílias dos meninos. Três deles possuem pais de outros países: França, Guiana e Gana. Ou então a origem do caldeirão pode estar no local de origem da banda, Berlim, cidade pela qual os integrantes são simplesmente apaixonados. “Dickes B”, primeiro single da banda é praticamente uma declaração de amor à capital.

Nascida nas ruas de Kreutzberg, a idéia era formar um grupo para se apresentar no Carnaval das Culturas, festival de rua que antecipa a entrada do verão, em 1998. Nem precisa falar que deu certo. Tempos depois a banda foi descoberta por um figurão da indústria fonográfica, Jack Scorpio, que investiu pesado nos garotos. Vale muito a pena conferir.

Aqui estão: S – 3E- D – SEEED!