É isso mesmo. Mandioca. Esse é o nome da banda responsável pelo gênero musical que não só conquistou diversos países como é hoje um dos maiores representantes da música das Antilhas: o zouk. A banda Kassav’, que em crioulo haitiano significa mandioca, surgiu com uma proposta de Pierre Edouard Decimus de elevar a qualidade das canções produzidas na ilha de Guadalupe, sua terra natal.

Junto com seu irmão Georges Decimus e o colega Jacob Desvarieux, visitaram a Torre Eiffel, comeram queijo e gravaram seu primeiro álbum em Paris ainda em 1979. A mistura de ritmos e instrumentos nativos, como os tambores característicos do carnaval de Guadalupe, ganhou ainda forte influência da música de Martinica.

O nome da nova batida surgiu mais tarde, com o frisson “Zouk la sé sèl médikaman nou ni”, canção lançada pelo grupo em 1985. Zouk, que significa festa, possui ainda traços de outros ritmos latinos, como a salsa, e africanos, como o soukous. Cantoras como Edith Lefel, entretanto, desenvolveram um zouk mais lento, mais romântico, que foi apelidado de zouk love.

Mas esse tal de zouk não tinha alguma coisa a ver com a nossa lambada? Tinha não. Tem. Como brasileiro não desiste nunca, algum lambadeiro em coma descobriu que é possível adequar os passos da lambada ao zouk. Ele chegou devagarzinho, desceu pelo litoral brasileiro até fincar o pé em Porto Seguro, antigo antro da lambada, e invadir as academias de dança do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

O estilo de música dançado hoje no Brasil é bem mais lento e meloso que o de Kassav’ e o de Edith, ainda que com freqüência mantenha o idioma francês. Mixagens, porém, não faltam. R&B, pop e até mesmo rock ganham a batida característica do zouk e fazem a alegria dos mais jovens.