O que têm em comum um bando de humoristas brasileiros e outro bando de músicos sicilianos? Além do humor escrachado nas performances musicais, também o look de mafiosi com tudo a que têm direito. A comparação surgiu a partir do clipe da música “Voglio Vivere Così”, em que a banda Qbeta (pronuncia-se cubeta) se produz no melhor estilo Hermes e Renato para fazer uma sátira às histórias de máfia. No caso do vocalista, Peppe Cubeta, este é o look normal dele.

A banda Qbeta ainda não é muito popular na Itália. Até bem pouco tempo atrás, eu era um dos que mais ouviam a banda, incluindo os italianos na contagem. Um dos pontos altos de sua trajetória foi a apresentação no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, no ano de 2005 (esta edição do Fórum ainda seria responsável por revelar muito mais artista bárbaro). A idéia da banda é produzir música mediterrânea com mistura de estilos como o reggae, o ska e as canções tradicionais da Itália.

O resultado final é bem diferente da Après La Classe, ao menos quanto à forma, já que no terreno das idéias e valores os dois grupos têm muito em comum. A performance da Qbeta é mais escrachada: os clipes satirizam as letras bonitas e românticas das canções, como a gente vê acima, no clipe de “Voglio Vivere Così” (Quero Viver Assim). Há também canções sobre elementos da cultura mediterrânea e afirmação de sua identidade. Algumas são cantadas em bom dialeto siciliano.

As canções românticas da Qbeta têm um revestimento típico do brega que funciona quando é assumidíssimo, o que é o caso. Destaco “L’amore di Pablo”, que serve também para dar uma quebrada no ritmo acelerado de músicas como “La tua pele” e “Scappa Carmela”.