“Cá para mim a trindade
Das coisas bem portuguesas
São o Fado e a Saudade
Mais uma pega das tesas”

Rotulado como expressão da alma portuguesa, o fado tem uma origem obscura que inclui lendas, histórias e desavenças. De uma herança trovadoresca medieval à influência da melancolia dos cânticos mouros, a hipótese mais aceita atualmente é que esse símbolo da cultura portuguesa tenha uma origem bem brasileira. Peculiar, não? Mas o que dizem os estudiosos é que o fado veio do lundum, ritmo africano que foi difundido pelos escravos brasileiros e apropriado pelos marinheiros portugueses.

Com uma visão fatalista do mundo, esse ritmo difundiu-se primeiramente nas classes mais populares, mas depois atingiu toda a camada urbana e os intelectuais. Dessa forma, ele se ramificou por três cidades: Lisboa, Porto e Coimbra; adquirindo características próprias em cada uma.

Como um produto dos tempos, o fado nunca teve uma fase “pura”, e passou por diversas evoluções e modificações. Nas tabernas portuguesas em 1840 e 1850, ele foi o ritmo dos boêmios, do além-mar. No rádio de meados do século XX, foi experimentado, sofreu uma ruptura e ganhou sua musa maior: Amália Rodrigues. Durante o Estado-Novo português, foi associado a Salazar e sua ditadura. Agora, no início do século XXI, vive uma revitalização e se tornou objeto de identificação dos jovens portugueses.

Apesar de ser produto da simbiose das culturas africana, brasileira e portuguesa, o fado encontrou nas terras lusitanas uma identificação sentimental que o transformou em ritmo característico e nacional.