O blues e o reggae têm lá sua origem comum. No caso, o primeiro contribuiu como elemento formador do segundo. Mas falando em cena musical, cada um tem um espaço diferente, públicos diferentes, linguagens distintas. O blues dos negros do sul dos EUA da metade do século XX não parece casar muito bem com o reggae que da Jamaica ganhou o Caribe e o mundo, certo?

Não é bem o que pensa Peps Persson. Este cidadão sueco já era responsável, nos anos 60, por trazer o blues ao seu país e ao seu idioma de origem, um desafio que lhe rendeu amplo reconhecimento de público e de crítica.

Mas Peps Persson não parou por aí. No final dos anos 70, aventurou-se pelo reggae, misturando canções próprias e versões de clássicos de Bob Marley. Todas cantadas não em sueco, mas no dialeto de sua região natal, a Escânia, localizada no extremo sul do país.

Vale lembrar que, ao contrário do Olodum com seu samba-reggae, o escandinavo atacou cada ritmo ao seu tempo, tanto é que voltou a investir no blues em meados da década de 90. Mas nem por isso deixou de fazer um belo trabalho em cada um dos ritmos e alguns outros correlatos. Vale a pena conferir o programa sobre Peps Persson e de quebra ouvir a semana inteira da Suécia no nosso podcast. Abaixo ficamos com “Oh Boy”.