O que duas das mais fascinantes bandas italianas da atualidade têm em comum? Se você respondeu “o local de origem”, acertou. E não, não é uma piada redundante. Assim como o Negramaro, a galera do Après La Classe também veio direto da sola da bota, ou, melhor dizendo, da região do Salento, no sul da Itália. Os salentinos do Après La Classe foram ainda mais longe em suas origens e gravaram uma canção em grego salentino, além, é claro, de dialetos italianos locais.

Mas o que é, exatamente, o Après La Classe? É ska, reggae, patchanka (cf. Manu Chao), rock, música mediterrânea. É sensação das pistas de dança italianas. É o grupo mais versátil em matéria de DJs Bárbaros: tem música para noite latina, tem rock alternativo, tem dance. Desde que os descobrimos, não sai praticamente nenhum setlist do Invasões sem música destes salentinos, o que só demonstra a proposta plural, a diversidade e a riqueza musical da banda.

A presença do vocalista Cesko Arcuti, de origem francesa, ajuda a explicar o porquê do nome de serviços de babá franceses. Explica também por que algumas das melhores canções da banda são cantadas em francês. Tocamos “I Love You”, do CD Un numero, uma vez durante a discotecagem, com boa recepção, deixando a pista animada. Resolvemos repeti-la naquela noite, e nesta segunda vez o público já cantava e dançava o refrão como se fosse um hit rodando todas as rádios e pistas de dança há meses. “Paris”, música que lançou a banda, foi da noite à trilha sonora de comercial de TV. “La Patchanka” tem só o refrão em francês, mas é exatamente a parte que gruda na cabeça. Também ganhou público dos mais exigentes em termos de música para as pistas. “Et un été encore” tem o tom certo para se dançar a dois.

A banda tem música para todos os gostos mesmo, mas ainda assim eu me permito escolher umas favoritas. Ainda considero o CD “do meio”, Un numero, de 2004, o melhor. É lá que estão “La Patchanka” e “I Love You”, além de “A fiate” e “Sale la febbre”. Do primeiro CD, Après la Classe, destaco a mensagem renovadora de “Ci 6 solo tu” e, claro, também está lá “Paris”. Para quem gosta de reggae, vale tanto o primeiro quanto o mais recente, Lunapark. Este último é o mais latino: a toda hora se ouvem um acordeon e algumas batidas bem desenhadas que lembram salsa e lambada e – por que não? – forró, como nas faixas “Et un été encore” e “La Luna Cadrà”. Recomendo ainda “Perchè trasmetti solo stress?”, cuja letra é boa para se abrir o jogo em qualquer relacionamento, e “La grande mela”, um pouco difícil de assimilar na primeira ouvida, mas que já é candidata a hit indie.

Com tanta coisa para se falar sobre esta banda, só nos resta esperar que apareça logo o novo CD inédito. Enquanto não existe previsão de seu lançamento, vamos administrando a vontade com o CD ao vivo, a ser lançado em breve. Para fechar o texto, deixo vocês com o clipe de “La Patchanka”, que traduz bastante do espírito do Après La Classe de irreverência e crítica bem-humorada: