Hoje vamos falar de Kapela ze wsi Warszawa. Não entendeu? Em inglês, Warsaw Village Band. Agora, em bom português, trata-se da banda de maior evidência da Polônia na atualidade. Em nove anos de carreira, o grupo já se apresentou em mais de trinta países, por quatro continentes, levando na bagagem instrumentos estranhos até mesmo a exímios conhecedores de música.

O estranhamento inicial pode se tornar curiosidade, e talvez esteja aí a receita do sucesso deste grupo. Isso porque o convencional passa longe da WVB, que se formou com a proposta de resgatar as músicas do folclore polonês, praticamente esquecidas pela população.

Em tempos muito remotos, meados do século XVI, o violino e a percussão eram os instrumentos mais tradicionais da folk music, por serem baratos e de fácil acesso. Em tempos de pastores cuidando de ovelhas nas montanhas, era preciso cantar muito alto para ser ouvido a longas distâncias. Daí vem a inspiração para o vocal da banda, baseado na chamada voz branca, uma forma de canto agudo e potente, que não apresenta oscilação de altura.

Mas se engana quem pensa que os integrantes do grupo vivem fechados em um saudosismo musical. A Warsaw Village Band veio para mostrar que o tradicional pode conviver com o contemporâneo e, para isso, reuniu em estúdio para seu terceiro disco, Uprooting (2004) representantes da música folclórica polonesa e especialistas em música eletrônica. O sucesso da fusão foi tão grande que DJ’s de várias partes do mundo se ofereceram para remixar as faixas de Uprooting, resultando em Upmixing (2008). A única exigência do grupo para a realização desse disco foi que a remixagem fosse feita com uma base em reggae.

O diálogo entre o velho e o novo é facilmente explicado pela idade dos integrantes. Maja Klezscz tinha apenas 14 anos quando entrou para a banda, empunhando seu violoncelo. Piotr Glinski, percussionista da banda e membro mais velho, tem 32 anos. O grupo é constituído também por Magdalena Sobczak, Wojtek Krzak, Maciej Szajkowski e a nova violinista Ewa Walecka, substituta de Sylwia Swiatkowska, que se dedica agora à maternidade.

Mas o último disco do grupo, Infinity, lançado também em 2008, tem uma proposta diferente dos demais, por não se prender à musica tradicional. Assim, a Warsaw Village Band vai extrapolando limites geográficos, mostrando que a Polônia tem, sim, potencial para se fazer notar no cenário internacional. Não é a toa que este grupo foi considerado pelo New York Times como ”o som da globalização”.