Hoje bateu aquela dúvida se eu escrevia sobre música argentina ou sobre música portuguesa. Mas me decidi, mais uma vez, por Porto Rico. E pelo reggae. Foi mal, Costoli.

Cultura Profética começou a carreira em 1996, tendo lançado o álbum de estréia, Canción de Alerta, em 1998. Até agora já foram quatro álbuns de estúdio, além de dois ao vivo: o primeiro deles, em 2001, com os sucessos da banda; o último, mais recente, não podia faltar: tributo a Bob Marley.

Assim como os conterrâneos do Circo, o Cultura Profética se converteu quase que numa unanimidade ao longo da América Latina. Já encontramos aqui e ali comentários de que esta é a melhor banda de reggae em espanhol da atualidade. Estas bandas porto-riquenhas não têm brincado em serviço: cantando em bom espanhol, conseguem entrar com facilidade nos Estados Unidos e ainda ser sucesso de público e crítica nos países de língua comum.

A música “Ritmo que pesa” é sugestão do produtor Tiago Capixaba. É a faixa de abertura do CD M.O.T.A., o último em estúdio, lançado em 2005. M.O.T.A é a abreviação de Momentos de Ocio en el Tiemplo de Ajusco. O tal Templo de Ajusco é um subúrbio da Cidade do México: a banda passou quatro meses naquelas terras antes de lançar o CD. A palavra mota também se refere a uma planta, na gíria mexicana. Acredito que nem precise dizer qual. Bem, a estadia, o CD e a gíria em referência ao México só comprovam o quanto os porto-riquenhos estão integrados aos seus países irmãos.

Como eu ia dizendo logo abaixo, a música que me chamou atenção em relação ao Cultura Profética é na verdade um reggaeton, gravado através de uma participação especial do vocalista Willy numa faixa do também porto-riquenho Gocho. A música se chama “Culpables”. Reggaeton bem produzido e com uma letra bacana, sem apelação, não é coisa que a gente vê toda hora, então vale a pena conferir também.