Paulo era um motoqueiro valente de coração dividido. Passava os dias num café, tomando suco de manga e pensando em cada uma das duas mulheres que povoavam sua vida. De um lado estava Diva, a cura de seus males, totalmente compatível. De outro, Julieta, com um visual mais alternativo, mas igualmente encantadora. Julieta tinha um pouco de tudo, na verdade até muito, mas era com Diva que ele conseguia chegar o mais alto e avante.

Tudo mudou num belo dia de sol. Eis que na tal festa surge Julieta, cheia de onda e turbinada. Por conta de uma extraordinariamente bem-sucedida cirurgia com o excimer laser, seus famigerados óculos de aro negro e espesso não mais escondiam seus reluzentes olhos verde-esmeralda.

Quem te viu, quem te vê, Julieta! – disse Paulo, que não se conteve face àquele clima que tomava conta de ambos e a puxou prontamente para debaixo da mesa. Enquanto sussurravam nas várias línguas bem próprias dos amantes, perderam o equilíbrio e derrubaram a toalha da mesa, descortinando-se a todos os presentes, inclusive Diva.

– Mas que safado! Eu meto a mão nele! – exasperou Diva, que parecia não se conter de fúria.

– Calma, mulher, não se estresse! Homem é tudo igual mesmo. – felizmente sua prima Maria conseguiu contê-la e evitar uma tragédia. – Meu tio tem uma Escânia, ele falou que nos leva de carreta para Guarapari e lá não vai ter ninguém para tomar nosso espaço.

Bom também. É logo ali mesmo.

E dali mesmo ganharam o mundo. Caminho livre para Julieta e Paulo, que logo trocaram olhares furtivos, já vislumbrando:

– E aí, vamos mais uma?