Gravado num estúdio de televisão com a presença de uma pequena plateia, Amar la Trama, novo disco do uruguaio Jorge Drexler tem toda a cara de um show que você assiste num teatro da sua cidade. Sem retoques de computador, a voz melódica de Drexler nos parece muito próxima e ainda mais cativante. A plateia, sempre incômoda nos discos ao vivo, ajuda não atrapalhando e só dá as caras no final da última faixa.

Diferentemente de seus discos anteriores, 12 Segundos de Oscuridad (2006) e Cara B (2008), Amar la Trama soa mais alegre, sem contudo abandonar a característica melancólica do artista. Distintos também na estrutura da produção: os primeiros foram gravados pelo cantor e alguns instrumentistas apenas, ao passo que este contou com uma banda bem mais completa. Há que se destacar também a forte presença dos metais e de outros instrumentos de sopro, antes não tão amplamentes utilizados.

Em várias composições do novo disco cantando seu amor por Madri, Jorge não deixa de homenagear o Brasil. Declaradamente apaixonado pela música brasileira, ele recentemente citou Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante e Paulinho Moska como as suas inspirações do momento. Não há referências diretas, como em Eco (2004), mas as influências se fazem presentes até mesmo no modo como Drexler executa suas melodias.

Em “Todos a sus puestos” é impossível não notar a brasilidade da guitarra e da percussão – música que poderia facilmente se encaixar no repertório de Sou, de Camelo. A Moska, Drexler inclusive dedica a canção “Aquiles Por Su Talon Es Aquiles” (confira no vídeo abaixo).

Experimental, diverso e de ótima qualidade, Amar la Trama é fundamental tanto para a obra de Jorge Drexler como para a música uruguaia, que luta a cada dia por reconhecimento no cenário internacional.