“Queríamos hacer reggae, salió algo raro y funcionó”*

Essa é explicação dos membros da maior banda pop boliviana para seu sucesso e suas inovações. Criada em 1990, o Lou Kass foi uma reunião de alguns jovens músicos da classe média de La Paz que tentaram acompanhar o que vinha acontecendo na música pop fora do país.

Nessa tentativa, o Lou Kass se tornou o primeiro grupo nacional do gênero a lotar estádios e o criador de um jeito boliviano de se fazer pop-rock, influenciando todos os outros que viriam depois. Os caminhos tomados pelos seus membros após o fim da banda, em 1995, demonstram sua heterogeneidade.

O vocalista Christian Krauss se mudou para Alemanha, trabalhou como entregador e formou uma banda de reggae. Ele voltou algumas vezes à Bolívia onde participou da banda Go Go Blues, de shows comemorativos do Lou Kass e do projeto solo do ex-guitarrista.

Grillo Villegas, o guitarrista e principal compositor, leva em frente um projeto solo de sucesso, o Llegas, influenciado pelo estilo do argentino Spinetta e pela sonoridade de soul, funk e jazz. O baixista Martín Joffré hoje cuida da saúde física e espiritual: renegou os excessos de rock-star e virou evangélico. O baterista Rodo Ortiz não cuidou tanto da saúde, tocou na da banda pop-rock Lapsus, virou poeta e dirigiu revistas literárias.

Com todas as dificuldades de gravação do país que na época tinha estúdios ainda muito amadores, o segundo e último disco de estúdio Akasa (1994) foi o ápice da criatividade do grupo.

Akasa conta com o rock’n roll “Hombre Lobo”, a etílica “La Torcida”, a saudação à cannabis “Feel High”, a funkeira “Chico Predecible”, a balada “No reces al sol”, o reggae progressivo “Por qué eres tan bella”, o reggae-folclórico “Resumen Paceño”, uma versão jamaico-boliviana de “Help”, dos Beatles, a crítica política “Extravismo”, e as reflexivo-existenciais “Hipnotizados” e “Akasa”.

No ano passado, o Lou Kass fez a alegria de seus fãs e se reuniu para uma série de shows na América Latina. Abaixo, assista um vídeo gravado na turnê de 2008. Como de costume no mercado fonográfico, embora a banda não fosse muito chegada a canções românticas, a balada “No reces al sol” foi seu maior sucesso.

*Queriamos fazer reggae, saiu algo estranho e funcionou.