Depois de algumas promessas, finalmente tenho a satisfação de trazer a primeira banda da Estônia ao blog Invasões Bárbaras. É um começo que já dá uma idéia do quanto de inusitado, inovador e profissional tem a música daquela pequena república, com a banda de punk melódico Vennaskond.

Vennaskond quer dizer fraternidade. A banda faz música desde 1984, e já se apresentou diversas vezes com outros grandes nomes do rock estoniano, além de ter feito turnês pela Alemanha, Suécia, Finlândia, Romênia, Estados Unidos e outros.

Materialização de idéias e sensações, um exercício ao mesmo tempo intelectual e intuitivo, ideológico e romântico: eis a música da Vennaskond. O neo-romantismo está para o som assim como o anarquismo está para as letras. O adjetivo melódico se justifica ao lado do punk pelos instrumentos únicos à banda: o violino está sempre lá, definindo a melodia; o acordeom e a balalaika também contribuem para formar a identidade sonora destes estonianos.

O vocalista e líder Tõnu Trubetsky é praticamente sinônimo de Vennaskond. O único a estar em todas as formações, tem ainda uma carreira viva no cinema, seja produzindo documentários sobre a própria banda, dirigindo outros filmes ou atuando. Conhecido também por Tony Blackpait, o músico tem participado de várias outras bandas punk, a maioria com uns poucos anos de duração. Já a Vennaskond é a banda mais antiga em atividade na Estônia, o que não deixa dúvidas sobre a prioridade de Tõnu em sua carreira.

A música “Krokodill Gena Lauluke” dominou a semana da Estônia no rádio, mas não é exclusiva da banda. Recentemente, ao pesquisar a Finlândia, ouvi uma canção com a mesma melodia e título e letra bastante diferentes, em finlandês, claro. Aparentemente é um tema popular comum àquela região ao redor do mar Báltico. Enquanto a gente não descobre, e para não desapontar ainda mais os colegas de projeto Invasões, surpreendidos por mais uma versão revelada, vamos conferir o clipe de “Viimane jõuluöö”. Apesar de mais antiga, a canção traz todos os elementos que fazem da Vennaskond uma banda inconfundível. Recomendo também a própria “Krokodill Gena Lauluke”, “Ma armastan Amerikaat” (do filme homônimo – “Eu amo a América” – alguém duvida da ironia no título?) e “Taas Punab Pihlakaid”.