No dia em que se celebra a morte de Zumbi dos Palmares (20 de novembro), fui incumbida de ir acompanhar uma roda de conversa no Festival de Arte Negra cujo tema era “África e Brasil – Memória e Futuro”. As convidadas foram a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, e Elisa Larkin do Nascimento, pesquisadora do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros.

Primeiro: eu não sabia da existência dessa secretaria. Segundo: essa conversa foi fundamental para fechar um dia em que entrei de cabeça no FAN. Comecei por um passeio pelo Centro Cultural da UFMG, onde está acontecendo a exibição de filmes nigerianos (neste fim de semana postarei um texto sobre o tema), e acabei em Ojá, onde o FAN se concretiza de maneira bem peculiar.

Ojá é o mercado cultural do Festival. Como todo mercado, é cheio de gente, é movimentado, e tem seus cheiros e sons. Comidas, instrumentos, artesanato, barulhos, dança, conversa, penteados, música… Tudo se encontra por lá. E literalmente no meio disso, aconteceu essa roda de conversa com pessoas tão gabaritadas.

A ministra, devido à sua agenda cheia, chegou atrasada. Enquanto a esperávamos, Elisa Larkin nos mostrou um projeto de sua autoria: uma linha do tempo com a história cultural do continente africano. Pode parecer chato, mas para mim foi bastante interessante. Cada período de 500 anos da história africana foi resumido em uma folha de papel A4. A linha do tempo possuía no total 4 metros e meio de extensão. De todo esse papel, apenas a última folha demonstrava um período em que os africanos ficaram subjugados pelos brancos. Uma folha! (E essa folha representava de 1500 até 2000). Essa constatação me impressionou realmente.

Depois disso, a ministra Matilde (vestida de branco) apareceu e com um discurso um tanto quanto burocrático começou. Beleza, é bastante interessante a questão racial ganhar importância a ponto de se ter uma Secretaria com status de Ministério para lidar com a situação. E mais: a questão racial no Brasil é realmente delicada, merece toda a atenção e deve ser discutida continuamente. O grande problema é que a ministra não estava ali para um debate e a conversa não foi muito além de um esclarecimento sobre as políticas públicas que estão sendo realizadas.

Assim, saí da roda e fui aproveitar Ojá, que tanto me encantou. Fui perceber que como Elisa falou durante sua explanação, raça não passa de uma questão socialmente construída. Mais que isso, percebi também que, apesar da gozação que esse blog faz, Vanucci está coberto de razão: A África (toda ela) não está tão longe de nós assim.